Psiquiatra do CAPS faz especialização na Espanha

Raissa de Alexandria é uma médica humanística e ama a o que faz

Doutora Raissa de Alexandria é médica psiquiatra do Centro de Atenção Psicossocial –CAPS – de Pedras de Fogo, uma especialista capaz, dedicada e (acima de tudo) humanística. Apesar da juventude, a doutora vem se destacando na área e conseguiu uma oportunidade de se especializar na Espanha. Conversamos com a Drª. Raissa sobre estudo, carreira e a experiência na área psiquiátrica. Acompanhe.

Repórter:

Drª. Raissa, fale um pouco sobre a sua formação: Universidade na qual estudou, porque escolheu a psiquiatria como especialidade, onde fez residência médica.

Drª. Raíssa:

Me formei pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e fiz residência em psiquiatria pelo Hospital Ulysses Pernambucano (Tamarineira) em Recife. Escolhi essa especialidade porque desde a faculdade já me atraía pela complexidade dos transtornos mentais e o enorme potencial de melhora da qualidade de vida dos que padecem de sintomas psiquiátricos, além de que me senti tocada em combater o preconceito e o estigma que ainda são tão presentes em nossa sociedade e agem na contramão dos nossos esforços.

Repórter:

Qual a realidade do atendimento na área de saúde psiquiátrica em Pedras de Fogo?

Drª. Raíssa:

Em Pedras de Fogo, apesar das dificuldades presentes nos serviços públicos de saúde (do país inteiro), me deparei com uma rede mais integrada, na qual a atenção primária e os serviços de referência em psiquiatria se comunicam, além de uma equipe de CAPS bastante comprometida e dedicada, em contínuo esforço de aperfeiçoamento, algo que é bastante motivador.

Repórter:

Poderia citar algumas ações que são desenvolvidas pela equipe na qual você atua?

Drª. Raíssa:
Temos organizado atividades de educação continuada com os médicos das unidades básicas de saúde com temas que fazem parte do dia-a-dia da atenção primária, e com a adesão e o esforço dos colegas, já vemos o reflexo das mudanças, com uma maior resolutividade dos quadros psiquiátricos a nível de UBS e melhor triagem para os serviços de saúde mental, desafogando cada vez mais a rede. Recentemente, criamos um cartão unificado para facilitar o acompanhamento dos dados clínicos e psiquiátricos para que os pacientes do CAPS possam ser avaliados sempre em sua integralidade.

Repórter:

Fale sobre o projeto do qual participa, do estudo na Espanha, como se deu o processo seletivo e quais as instituições envolvidas nessa experiência.

Drª. Raíssa:

Quanto ao curso, soube que um convênio entre a APAL (Associação de Psiquiatria da América Latina), a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e a SEPD (Sociedad Española de Patología Dual) estava disponibilizando uma vaga para um curso em Patologia Dual (dependência química ou comportamental associada a outro transtorno mental, como depressão, ansiedade, esquizofrenia, bipolaridade, transtorno esquizoafetivo, de personalidade, etc.) em um serviço de referência na Espanha por três meses e decidi me inscrever. A seleção consistia em pontos de currículo e um projeto relacionado ao tema, no qual esbocei uma replicação do sistema utilizado na Espanha para Pedras de Fogo, incluindo atividades que já iniciamos no município, como o grupo de dependência química do CAPS. A aprovação foi seguida do apoio dos queridos colegas do CAPS, bem como da Secretaria de Saúde do município.

Repórter:

Qual a importância dessa experiência para a sua carreira e para as áreas nas quais você atua?

Drª. Raíssa:

Como a dependência química é uma realidade bastante presente no nosso país, inclusive em Pedras de Fogo, o curso me dará ainda mais instrumentos para aperfeiçoar a abordagem a esse perfil de pacientes e as comorbidades frequentemente associadas, e tem sido uma experiência enriquecedora acompanhar a dinâmica de um serviço de ponta, o que certamente repercutirá na minha formação profissional e pessoal.

 

Reporte: Jairo Alves


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