Ballet para adultas transforma realidade de mulheres pedrafoguenses

Elas chegam tranquilamente no Casarão da Cultura de Pedras de Fogo, local onde funciona a Escola de Artes de Pedras de Fogo. São mulheres, mães, esposas, amigas e, agora, alunas de ballet clássico para adultas. O curso existe há sete anos, más só era ofertado para crianças e pré-adolescentes. As mulheres adultas agora também podem fazer aulas de ballet, algo inédito no município.

Tudo começou por iniciativa de uma mulher muito forte, corajosa. Seu nome? Maria Lucicleide, apenas Cleide paras as amigas de curso. Ela e a professora Mariana Ferreira deram o ponta pé inicial neste projeto que hoje já é realidade e oferta aulas para mais de 12 mulheres.

Emocionada, Cleide conta como surgiu a ideia: “como a gente é dona de casa a gente sempre perguntou por que nunca tinha oportunidade de fazer um ballet, sempre perguntei isso à professora Marina. Ela respondia que não era com ela, que tinha que falar com Alisson (Secretário de Cultura) para abrir uma turma adulta e assim a gente foi até ele e conseguiu realizar esse sonho”.

Cleide diz que só tem a agradecer à equipe do Casarão da Cultura pelo apoio, pelo tratamento, por abraçar essa ideia. Segundo ela, as aulas ajudam as mulheres a quebrarem correntes.

“É um passo que a gente dá e eu já fui tão sofrida na minha vida que eu ali, assim… eu sou outra pessoa, fiquei outra pessoa. Estou mais corajosa para fazer minhas coisas . Tinha pessoas que não me davam dez centavos e hoje olham para mim diferente, com mais respeito. Hoje eu estou sendo valorizada e agradeço muito a oportunidade. Mariana é uma excelente professora. Não tenho nem palavras para agradecer”, disse Cleide, que ainda menciono o apoio dos filhos, da família para que ela continue nas aulas.

O sentimento das alunas é o de que ali, nas aulas naquele Casarão centenário, não é uma turma de alunas de ballet clássico apenas. As mulheres formaram um grupo de amizade, uma família. Elas se sentem outras pessoas. Melhoraram a auto estima, as relações interpessoais, a vida.

Mariana, a professora e uma das idealizadoras do projeto, já ensina há anos ballet às alunas do infantil e do infanto-juvenil. A professora já tem experiência no assunto, realizou diversos festivais de ballet, coordenou várias apresentações, tem uma história construída. Mas é a primeira experiência da professora e do Casarão da Cultura com esse público. E está dando certo.

Perguntada sobre o significado dessa iniciativa, a professora responde que “é muito importante porque muitas pessoas, muitas mães tinham vontade de fazer ballet quando eram crianças, na infância, e não tinham essa oportunidade. Hoje o Casarão da Cultura de Pedras de Fogo oferece essa oportunidade de realizar um sonho, então eu acredito que isso é muito importante para cada uma delas e para mim também”.

Com relação às culminâncias, as apresentações ao longo do ano que as alunas do infantil fazem, Mariana garante que vai seguir a mesma sistemática com as adultas. Ela pensa em incluir elas tanto no espetáculo de Ballet, quanto em outras apresentações. “Porque é o mesmo trabalho que eu faço com as crianças e com as adolescentes. Então eu quero expor. Eu quero que a sociedade veja que é possível, sim, você começar o Ballet depois, já adulta. Não há barreiras para a arte”, declarou a professora.

O secretário municipal de Cultura, Alisson Quirino, diz estar muito empolgado com o novo projeto do Casarão da Cultura. Para Alisson, é mais uma forma de oportunizar às pessoas contato com práticas artísticas, principalmente para esse público de mulheres adultas que é visto muitas vezes de forma preconceituosa e machista. A gestão está grata por poder participar desse momento, desse novo na vida dessas mulheres, garante Alisson.

São mulheres como Maria da Soledade, conhecida por todos como Massu, que encontram espaço para praticar uma atividade artística. Ela é mãe, esposa, trabalha o dia inteiro no próprio Casarão da Cultura, mas todas as segundas está lá, concentrada, prestando atenção nos passos, relaxando com a música, o alongamento, com os movimentos suaves ensaiados no andar superior do lugar onde ensaiam.

O cansaço, as adversidades, as dores e labutas não são suficientes para impedir essas mulheres porque elas estão inebriadas na alegria da Cultura, motivadas pelo combustível que vem da arte e alimenta o sonho, que vai se tornando realidade a cada movimento, passo, coreografia, a cada ensaio.



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